domingo, 15 de maio de 2011

Menina do interior


















Sou uma menina do interior, que cresceu brincando em fazenda, jogando baleado na rua, pedindo a benção aos pais, tios e avós.

Não assistia novela das oito, frequentava evangelização, conhecia meus vizinhos, os pais dos meus amigos, os amigos de meus pais.

Onde e quando nasci, a vida era mais simples e os conceitos mais criteriosos. Os homens (e mulheres) de valor eram aqueles que possuíam valores morais e não apenas financeiros. A confiança (e não os interesses) era a base das relações.

Sou uma menina do interior, que ainda gosta de sentar à mesa com a família nas refeições, que conversa com os pais todos os dias, que é amiga dos irmãos, que tem amigos verdadeiros, que acredita nas pessoas e que sonha com uma vida melhor.

Tem certas coisas que não mudam, não importam o tempo e o local em que se vive e as pessoas com as quais tem que conviver. Está na essência. Não deixarei de ser uma menina do interior.


Por Aline D’Eça
15/05/2011

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Faltas

Em 26/03/2011

Hoje senti falta de tanta coisa...
Peguei a caneta e um caderno, mas faltava-me inspiração
Comecei a escrever sem saber o que dizer
As palavras me abandonam...
E o que resta fazer em uma hora como essa?
Autoanálise
Um passeio pelos pensamentos
Vasculhando sentimentos
Exercitando a compreensão
O que me incomoda?
Esse vazio e, ao mesmo tempo, tantas coisas
Mas o que elas significam isoladamente?
Por que olhar para o espelho e querer fazer uma plástica?
Carência de autoestima.
Por que colocar uma música que me lembra alguém e me faz chorar?
Carência provocada pela ausência.
Por que ficar olhando para o telefone, esperando que alguém ligue?
Carência de uma conversa amiga.
Por que devorar tantos chocolates de uma só vez?
Carência de prazer.
Por que invejar uma pessoa famosa que vive cercada de fãs?
Carência de atenção.
Por que esta vontade de mudar de emprego?
Carência de valorização.
Por que toda essa inquietação na busca de um novo desafio?
Carência de motivação.
Por que tanta desordem em minha vida?
Carência de foco.
E todas essas tentativas frustradas de silenciar a mente e meditar?
Carência de paz interior.
Muitas perguntas, as mesmas respostas.
Bem...
Eu não sou tão triste assim, mas é que hoje estou carente.


Por Aline D’Eça


(*Para fechar esse texto, adaptei uma frase dita por Clarice Lispector em uma entrevista. A dela dizia “Eu não sou tão triste assim, mas é que hoje estou cansada”).

sábado, 2 de abril de 2011

Eu, adversa?












Deixar de ser autêntico em razão do que os outros vão julgar é covardia.
Ridículo mesmo é fingir ser o que não se é.
A mentira aprisiona...
Liberdade é poder ser integralmente quem é, mesmo quando suas posições parecem adversas.
Eu não quero perder tempo na escolha de disfarces
Nem aceitarei ser etiquetada ou amoldada a esta ou aquela casta.
Ou o bem ou o mal, ou isso ou aquilo...
Detesto dualidades!
Por que não poderia ter boas e más atitudes, se sou boa e sou má, se estou certa e estou errada, e se sou tudo isso ao mesmo tempo?
Sou luz e sou escuridão!
Passamos a vida inteira tentando ser livres e felizes
E nos aprisionando voluntariamente a coisas, pessoas, aparências, pensamentos, opiniões e sentimentos inúteis.
Assim, os momentos felizes chegam e vão embora,
Mas a sensação de aprisionamento fica, sempre.
Insistir em viver assim é nunca se permitir ser pleno.
Eu quero tentar... Viver o que estiver disposta a viver
Ser quem eu quiser ser, mas sempre de verdade.
Eu quero tirar esse sábado para dançar, o domingo para rezar
Posso ser forte em um momento, extremamente frágil em outro
Afinal, há algo de errado em adorar música clássica e também samba, rock, reggae, pagode?
Eu seleciono o que ouvir e pensar, sentir e gostar. Tudo ao meu critério.
Tenho em mim a consciência do que é certo e do que é errado.
Mas não estou a fim de julgar quem é certo e quem é errado.
Afinal, não tenho esse direito. Ninguém tem.
Para quê perder tempo com isso, se eu posso tanta coisa?
Posso tentar ser mais espiritualizada e, ainda assim, não resistir a uma liquidação...
 Posso ser indiferente às notícias sobre a crise econômica mundial, mas sentir a dor de uma mãe que acaba de perder um filho.
Posso estar elegantemente vestida aqui, praticamente despida ali;
Ser liberal com umas coisas, careta com outras;
Escrever um livro hoje, falar um monte de besteira amanhã.
Estar em um templo de manhã, em um barzinho de noite
Posso crer em Deus, em Jesus, nos espíritos, e não confiar nos homens;
Posso não temer a morte e ter pavor de morcegos.
Nada disso é contraditório, tudo isso sou eu.
Muito prazer.



Por Aline D’Eça
Em 27/03/2011

domingo, 17 de outubro de 2010

Embaralho

Tudo parece calmo
Um instante passou pelo avesso
E eu aqui no meu quarto
Revirando meu travesseiro

A vida lá fora me chama
O vento sopra a favor
A estabilidade indica
Tempo de alçar vôo

Mas aqui no meu canto
Perdida entre mil perguntas
Tento traçar qualquer plano
Talvez mais uma rota de fuga

Escolho as cartas
Não jogo
Embaralho

Tento outra aposta
A roleta gira
Não posso blefar desta vez

Fecho os olhos,
Mas a mente não para
O que fazer com esse medo?

Como apostar na felicidade
Se eu não sei como se faz
Nem nunca fui livre de verdade?

Por Aline D’Eça
17/10/2010

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

LANÇAMENTO DE LIVRO


LANÇAMENTO: Filhos do Cárcere, da jornalista Aline D’Eça

Na contra mão dos espetáculos de horror, eis um livro construído com os tijolos da sensibilidade e ternura. Essas são as palavras do Diretor da Faculdade de Comunicação da UFBA, Giovandro Marcus Ferreira sobre o livro Filhos do Cárcere, da autoria da jornalista Aline D’Eça, que será lançado no dia 06 de outubro, a partir das 19 horas. O primeiro livro-reportagem publicado pela Editora da Universidade Federal da Bahia terá o lançamento promovido no Café Primaz, localizado na Avenida Leovigildo Filgueiras, no bairro do Garcia.

O trabalho Filhos do cárcere nos proporciona um encontro com o rejeitado mundo prisional. Numa escrita envolvente nos faz percorrer o dia-a-dia do Complexo Penal Feminino em Salvador, a partir dos filhos e filhas de mulheres prisioneiras que ali estão cumprindo penas. Depois que os indivíduos infratores chegam ao cárcere, principalmen­te os pobres e desconhecidos, não mais interessam notícias sobre eles, mui­to menos sobre as implicações sociais do seu aprisionamento.

O fato de crianças serem geradas, nascerem e viverem no ambiente carcerário, expostas a todo tipo de risco, é um destes fatores desconhecidos por parcela da população. O tema, apesar de não ser novo, não costuma ser divulgado pela imprensa. Na Bahia, além de não encontrar nos veículos jornalísticos notícias sobre este assunto, inexistiam pesquisas de outras áreas do conhecimento sobre o tema. Diante da situação surgiu a ideia de abordá-lo por meio de um trabalho jornalístico que pudesse apresentar à sociedade uma perspectiva pouco conhecida do sistema penitenciário.

A intenção deste trabalho é ir além dos crimes e do noticiável, na tentativa de uma aproximação com o real. Números podem ser importantes, mas não mais que histórias de vida, não mais que as pessoas. Filhos do cárcere nos prova que é possível um jornalismo cívico, que clama por cidadania e, ao mesmo tempo, que nos sacode desenhando pequenos movimentos, cristalizando olhares e gestos que passam despercebidos no dia-a-dia, mas que são essenciais no mosaico da vida humana.

SERVIÇO

O que: Lançamento do livro Filhos do Cárcere, da autoria da jornalista Aline D’Eça
Quando: 06 de outubro de 2010, a partir das 19 horas
Onde: Café Primaz, Avenida Leovigildo Filgueiras, 270, Garcia
Preço do livro: R$ 28,00
Preço do livro (Lançamento): R$ 25,00





Fonte: Ascom/EdUFBA

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Despertar de uma borboleta























Acorda... É hora de viver
Abre as asas a jovem borboleta
São tão belas e delicadas
Mas aguarda... ainda não pode utilizá-las

Sei... quer logo voar
Esperar a deixa inquieta
Afinal, para quê abandonou o casulo
Se ainda não pode conquistar o mundo?

Contorce-se a borboleta
Paciência, a vida é um estágio
E cada etapa vencida é um presságio
De novas surpresas da natureza

Quando era ovo, pequenino e delicado,
Sua trajetória não era capaz de imaginar
Muito menos que um dia poderia voar

Foi lagarta voraz e rastejante
Ferindo ou camuflando-se, se defendia dos perigos
Não confiava em ninguém, afinal só enxergava inimigos

Depois, solitária e exausta daquela vida sem aspirações,
Decidiu pela metamorfose necessária
E recolheu-se numa frágil e silenciosa crisálida

Ali, sem luz, sem alimento, em segredo
Teceu o seu futuro na clausura
Esforçou-se por perder as armaduras
Que a prendiam a um passado obsoleto

E então, após uma longa espera
A mudança mais completa e incrível!
O corpo grosseiro e escravo
Agora é tão belo e sensível!

O mundo parece tão vasto
E veja só quantas cores!
Deixe para trás as folhas
Poderá planar sobre as flores!

Borboleta, para quê tanta ansiedade?
Espere apenas suas asas secarem
Para voar certa e segura ao encontro de sua felicidade!


*Por Aline D’Eça
Em 12 de julho de 2010

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Chegando aos 30

30 anos, não dá mais para adiar...

Agradecer à genética pelo corpo saudável, adquirido sem qualquer esforço,
Mas parar de brincar com a sorte:
Cuidar da alimentação e entrar para a academia

Vestir menos calças jeans e usar mais vestidos
Tentar ser menos básica e mais feminina
E ter no guarda-roupa apenas peças realmente necessárias

Buscar a cada dia um pouco mais da minha essência
Preocupar-me menos com as aparências
E encontrar o equilíbrio entre as coisas materiais e espirituais

Antes de ficar tentando arrumar a bagunça da vida dos outros
Que tal por em ordem a minha vida?
Definitivamente, não sou nenhuma Amelie Poulain
Em primeiro lugar, é preciso pensar em mim.

Que tal criar novas metas e
Tocar os meus projetos?
E nunca, jamais, desistir de realizar meus sonhos

Viajar mais, trabalhar menos
Horas a mais de trabalho são horas a menos de vida
Aprender a usar as férias para férias e não para trabalhos extras
Dinheiro nunca vai ser mais importante que viver

Usar menos o cartão de crédito
Aprender a fazer compras no débito
E conseguir finalmente manter uma poupança

Ser mais caseira
Que seja mais agradável estar em casa que em um shopping
Mais gostoso comer na minha cozinha que em um restaurante

Curtir mais a vida real que a virtual
Ter com os amigos mais encontros presenciais
E não me conformar em manter contato com eles apenas em sites sociais

Encontrar um pai para os meus filhos
E ficar com ele até a chegada dos netinhos
Que este mesmo homem seja meu amado, meu amante, meu amigo
E que fiquemos juntos até que estejamos bem velhinhos

Cuidar sempre da minha palavra, ela é meu maior poder
E reflete o que se passa no meu coração

E, o mais importante, construir uma vida virtuosa
Que daqui a mais 30 anos eu possa olhar para trás
E admirar tudo que pude viver.


Por Aline D’Eça, em 2 de julho de 2010.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

terça-feira, 25 de maio de 2010

Só Amor

25/05/2010

Que eu seja só amor
Aquele que alimenta e ilumina
Aquele que acolhe e pacifica
Diante das intempéries da vida
Em cada chegada e em cada partida
Que eu seja só amor

Que eu seja só amor
Aquele que fortalece diante do sacrifício
Aquele que promove a elevação interior
E que me faz herói de mim mesmo
Que eu seja só amor

Que eu seja só amor
Aquele que silencia diante da ofensa
Aquele que estende a mão e que perdoa
E veste-se de caridade e gentileza
Que eu seja só amor

Que eu seja só amor
Aquele que coloca a serviço do Cristo
Aquele que dá seu testemunho
E que inspira na busca da sabedoria
Que eu seja só amor

Que eu seja só amor
E que ele me eduque e transforme
E que nele encontre amparo e luz

Que eu seja só amor
E que dele eu seja instrumento
Do sentimento maior que nos conduz

Que eu seja só amor
E nele encontre abrigo
Do maior de nossos amigos:
O amado mestre Jesus.


Por Aline D’Eça*

*Este poema foi escrito durante inspiradora aula do Esde.