quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Aprendizado
O problema não é errar o caminho,
mas não ter a iniciativa de corrigir o rumo.
Os erros são componentes úteis
quando o intuito é acertar.
Nenhuma pena é eterna.
Eterno na vida é o aprendizado.
Este, sim, é constante, não cessa.
É certo que a dor ensina,
mas errado é acreditar que ela é a única professora.
Chegará o estágio em que todo aprendizado dar-se-á
apenas pelo recurso do amor.
E este é o rumo a seguir,
o alvo para o qual devemos nos direcionar.
Por Aline D'Eça
Em 08/08/2012
quarta-feira, 18 de julho de 2012
“Bença pai, bença mãe”
Sim, eu peço “a benção”
aos meus pais, tios e padrinhos.
Com os meus avós, que aqui
já não estão, fazia o mesmo.
E é sempre tão confortante
ouvir “Deus te abençoe” ou “Deus te faça feliz”.
Independente de crer ou
não na existência de Deus, esse ato significa:
“Eu te amo e desejo sua
proteção e felicidade”.
Isso não tem nada a ver com religião.
Também aprendi a tratar os
mais velhos, especialmente os familiares, por “o senhor/a senhora”.
O que tem de arcaico e
ultrapassado nisso?
Acaso são a gentileza e o
respeito inadequados?
Se eles estão em desuso, a
mim não importa.
Para o amor, o carinho e o
respeito não existem tempo e nem moda.
Por Aline D’Eça
Em 18 de julho de 2012
terça-feira, 10 de julho de 2012
Amar o Amor
Quero amar não a beleza que há no outro,
a constituição física que os anos faz perecer.
Quero além da satisfação do corpo,
Algo a mais que o desejo e o prazer.
Quero o encontro de duas almas,
de duas personalidades inteiras e afins
Quero o que me ajude a crescer,
Quero o amor que desvende a beleza que há em mim.
Por Aline D’Eça
Em 10 de julho de 2012
Às 22h30
Às 22h30
Medos
Ninguém tem medo de amar
O que há é o medo da dor
O que há é o medo da dor
Que o amor pode causar
Ninguém quer viver sem carinho
O que há é o medo da rejeição
E de ter que andar sozinho
Ninguém quer morrer
O que há é o medo de suportar
As dores que a vida pode ter
Ninguém é assim tão forte
O que há é o medo de vacilar
E, sem defesa, ficar sem norte
Ninguém quer desistir
O que há é o medo de arriscar
E de não aprender a persistir
Ninguém nasceu para perder
O que há é o medo da batalha
Mas batalhar é viver.
Por Aline D’Eça
Em 10 de julho de 2012
Às 01h37
Às 01h37
sexta-feira, 6 de julho de 2012
As Palavras
Quando minha alma quer gritar, escrevo.
Alegre ou triste, é na
linha do papel que tento alinhar sentimentos.
Não penso. Sinto. Deixo
fluir.
Palavras atraem outras
palavras.
Extravasam.
Falam mais do que dizem.
Desnudam.
Quando escrevo, minha alma
fica mais leve.
Sem os gritos, em
silêncio, conheço-me um pouco mais.
Porque ela está ali
refletida no papel.
Se antes não conseguia
ouvi-la,
Agora posso interpretá-la.
Ela, a alma, desvenda-se
para mim por palavras.
Por Aline D’Eça
Em 5 de julho de 2012
sexta-feira, 22 de junho de 2012
69
Brilha como a Lua,
Mas vive a contemplar as estrelas...
Incentiva o amor entre as criaturas,
Mas fere-se e foge como Cupido.
Quer sair pelo mundo em busca da liberdade,
Mas prefere o aconchego do lar.
Protege incansavelmente quem ama,
Mas sente-se eternamente desprotegido.
Acha lindo o amanhecer,
Mas prefere ficar agarrado ao travesseiro.
Sofre a dor dos que sofrem.
Sorri com o riso alheio.
Simpático aqui.
Ranzinza ali.
Tenta ter razão,
Mas cede sempre à emoção.
Memória de elefante.
Coração errante.
Quantas recordações do passado!
Das boas lembranças, puro saudosismo.
Das ruins? Esquecê-las é tão difícil...
Mas nada é tão bom quanto um futuro imaginado!
Perde-se no mundo dos sonhos e dos contos...
De longe, admiram sua força e coragem.
De perto, criança escondendo sua fragilidade.
Melhor ataque: a defesa.
Pior defeito: a insegurança.
Caminha como um caranguejo,
Dá voltas para chegar onde quer.
Acredita em destino.
Gosta de aventuras,
Não de desatinos.
Cultiva o silêncio e aprecia a privacidade,
Mas adora encher a casa de amigos.
Oferece colo como uma mãe,
Mas exige atenção como um filho.
Instável como as marés,
Maleável como a água.
Tem mais fases que seu satélite regente.
Feliz ou triste
Amável ou rancoroso
Sociável ou tímido
Aventureiro ou preguiçoso
Corajoso ou inseguro
Simples ou ambicioso
Sua essência?
Ah, tão fácil desvendar!
Simplesmente, é o que sente.
E o que sente, ele não mente.
Por Aline D’Eça
22 de junho de 2012
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Além do espelho
Às vezes, gostaria de me enxergar através do olhar dos
outros para me conhecer um pouco mais. Poder observar um gesto, analisar um
comportamento, perceber o calor e a frieza, a atenção e a distração, a
inocência e a astúcia, a maturidade e a imaturidade, a luz e a sombra. Ver-me
do ponto de vista alheio. Entender o que
é bonito e o que é imperfeito. Ouvir além da voz, ler além das palavras. Perceber
como enxergam, além de mim, a minha alma.
Por Aline D’Eça
7 de junho de 2012
domingo, 27 de maio de 2012
Desculpas
Se acaso te procuro no lugar errado
Ou se sigo no caminho certo
Mas perco-me em meus passos
Desculpe, pelo clamor do corpo
Se eu me desnudo ou se me guardo
Se te confundo com um estranho
Ou se aos instintos não satisfaço
Desculpe, se me distraio
E não te encontro na esquina certa
Se meus olhos te olharem, mas não te verem
Se eu não ouvir o seu alerta
Desculpe, mas não tenho culpa
Se acaso moro em um país estranho
Se não estou no seu caminho
Ou se nasci no tempo errado
Desculpe, se acaso me atrasei
Ou se andei por um caminho escuro
Se não cheguei a tempo
Ou se no passado te deixei
Desculpe, mas para quê tantas desculpas?
Se as distâncias podem ser vencidas,
Se os enganos podem ser reparados,
Se você estiver disposto a amar,
E se eu estiver ao seu lado?
.
Por Aline D’Eça.
Em 27/05/2012
domingo, 6 de maio de 2012
A procura
Quando falo de “encontro”, não me refiro ao ato fortuito de
estar com alguém, mas do encontro profundo, aquele relacionado ao ato de
conhecer verdadeiramente alguém, de compreendê-lo, aceitá-lo, amá-lo. Falo
daquele encontro que une as almas. Não almas gêmeas, pois acredito mesmo na
individualidade do ser. Mas almas diferentes dispostas a unirem-se, a crescerem
juntas e a amar.
Acredito que é isso que as pessoas procuram. Eu procuro. Mas
não basta procurar, é preciso ir ao encontro.
Entretanto, para onde ir? Andar em que direção? A primeira
estrada que segui, foi um triste engano. Mas permitiu que eu descobrisse muito
cedo que, para encontrar o que eu quero, antes precisava me encontrar. E esse
não é um encontro fácil. O espelho nunca diz tudo o que somos. É preciso um
mergulho interior, para o qual nem sempre temos fôlego suficiente. Mas podemos
ter controle sobre ele e conseguir imergir cada dia um pouquinho mais.
Infelizmente, nem todos estão dispostos a enfrentar o
autoconhecimento. O que torna mais difícil “o encontro”.
Estar sozinho é difícil. As pessoas cobram, as conveniências
cobram, o corpo cobra. Mas a solidão pode não ser necessariamente uma
experiência dolorosa, mas um instrumento
muito importante de crescimento e preparação para o amor.
Hoje sei o que quero. Porque sei, porque confio, espero. Não
preciso forçar situações, o amor não se manifesta à força. Ele não se impõe.
Ele desabrocha aos poucos. O amor é construção.
Não, não espero por um príncipe encantado. Eu não gosto de
nada pronto. Quero fazer parte desta construção. Não quero um homem perfeito,
pois ele não existe neste mundo. Mas um homem pleno de si, ciente da sua
condição e em busca da perfeição. Uma pessoa que, como eu, acredite que quando
se tenta ser melhor para si, já está sendo melhor para o mundo.
Por Aline D’Eça
Em 26/10/2009
Em 26/10/2009
*Depoimento sobre "relacionamentos" escrito a pedido de minha amiga e psicoterapeuta Solange Meinking.
quinta-feira, 29 de março de 2012
O rio
A
vida, vez ou outra, me coloca diante de um rio.
Ela
diz: “atravesse”.
Ali,
na beirada, observo as águas passarem...Elas levam algumas pedras,
E não consegue mover outras.
Simplesmente, as contornam.
Parada na beira do rio, eu raciocino.
Atravessar? Sim ou não, para quê e como?
As águas não param para esperar a minha decisão.
Independente, o rio segue o seu curso.
“Atravesse...”, insiste a vida.
Ela não diz para eu deixar me levar pela correnteza.
Ela não quer a minha certeza ou incerteza.
Ela quer, simplesmente, que eu atravesse.
O rio às vezes é calmo, outras caudaloso.
Tem vez que ele é raso, esse eu venço passo a passo.
Tem vez que é profundo, esse exige nado e mergulho.
As pedras podem auxiliar ou não na travessia.
As águas podem ser quentes ou frias.
Mas eu atravesso.
Do outro lado do rio, não serei mais a mesma.
Posso não conseguir enxergar agora quem serei.
Mas, ao chegar lá e olhar para trás, saberei quem fui.
Parada diante do rio eu não fico.
Eu atravesso.
Por
Aline D’Eça
Em
29 de março de 2012.
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