quinta-feira, 29 de março de 2012

O rio

A vida, vez ou outra, me coloca diante de um rio.
Ela diz: “atravesse”.
Ali, na beirada, observo as águas passarem...
Elas levam algumas pedras,
E não consegue mover outras.
Simplesmente, as contornam.
Parada na beira do rio, eu raciocino.
Atravessar? Sim ou não, para quê e como?
As águas não param para esperar a minha decisão.
Independente, o rio segue o seu curso.
“Atravesse...”, insiste a vida.
Ela não diz para eu deixar me levar pela correnteza.
Ela não quer a minha certeza ou incerteza.
Ela quer, simplesmente, que eu atravesse.
O rio às vezes é calmo, outras caudaloso.
Tem vez que ele é raso, esse eu venço passo a passo.
Tem vez que é profundo, esse exige nado e mergulho.
As pedras podem auxiliar ou não na travessia.
As águas podem ser quentes ou frias.
Mas eu atravesso.
Do outro lado do rio, não serei mais a mesma.
Posso não conseguir enxergar agora quem serei.
Mas, ao chegar lá e olhar para trás, saberei quem fui.
Parada diante do rio eu não fico.
Eu atravesso.


Por Aline D’Eça
Em 29 de março de 2012.

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