sábado, 29 de outubro de 2011
O mar também é céu
O mar também é céu
Tapete verde sob a imensidão azul
Onde se escondem estrelas
E delicadas nuvens coloridas:
Águas-vivas dançando no silêncio...
Correnteza é o vento que guia
As asas de quem mergulha
Sem fronteiras, milhares de destinos...
O mar e o céu são um só quando chega a noite
Parecem se tocar ali, bem distante, no infinito...
Mas basta o sol no horizonte apontar
E o céu é céu
E o mar é mar.
Por Aline D'Eça
Em 28 de outubro de 2011
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Ser criança!
Ser criança
Querer brincar
Não se preocupar com nada.
Sonhar, sonhar...
Ter os olhos curiosos
O coração puro
Acreditar que pode mudar o mundo...
Ser criança
Fazer amigos, até mesmo imaginários
Brigar em um dia, chamar pra brincar no outro
Fazer traquinagem
Ser livre
Bicho solto correndo pela rua
Ser criança
Ter super-heróis e imitá-los
Fazer dengo
Dar chilique
Ter uma cota inesgotável de energia
E de repente dormir como um anjo
Ser criança
Não conseguir segurar o choro, ou a gargalhada
Ser sincero
Fazer mil perguntas
E mesmo diante do pessimismo dos adultos,
nunca perder a esperança.
Por Aline D’Eça
05/10/2011
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Lição

Borboleta sem casulo
Glória sem luta...
O dia só começa quando a noite termina
E o aprendizado, muitas vezes, só acontece
Quando é a dor que ensina.
Por Aline D’Eça
Em 21/09/2011
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Aquário
Nós, peixes de oceano, quando colocados em um aquário, não podemos deixar que as limitações do ambiente nos faça esquecer a nossa capacidade de nadar. Debater-se não adianta; apenas nos desgasta e coloca em perigo, pois as paredes são de vidro... Adaptar-se a uma situação limitante não significa acomodar-se, mas não perder forças com questões desnecessárias. Para que, quando libertos, estejamos com fôlego suficiente para devassar o oceano e trazer à tona todos os nossos talentos.
[Aline D’Eça, em 28/07/11]
[Aline D’Eça, em 28/07/11]
domingo, 15 de maio de 2011
Menina do interior
Sou uma menina do interior, que cresceu brincando em fazenda, jogando baleado na rua, pedindo a benção aos pais, tios e avós.
Não assistia novela das oito, frequentava evangelização, conhecia meus vizinhos, os pais dos meus amigos, os amigos de meus pais.
Onde e quando nasci, a vida era mais simples e os conceitos mais criteriosos. Os homens (e mulheres) de valor eram aqueles que possuíam valores morais e não apenas financeiros. A confiança (e não os interesses) era a base das relações.
Sou uma menina do interior, que ainda gosta de sentar à mesa com a família nas refeições, que conversa com os pais todos os dias, que é amiga dos irmãos, que tem amigos verdadeiros, que acredita nas pessoas e que sonha com uma vida melhor.
Tem certas coisas que não mudam, não importam o tempo e o local em que se vive e as pessoas com as quais tem que conviver. Está na essência. Não deixarei de ser uma menina do interior.
Por Aline D’Eça
15/05/2011
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Faltas
Em 26/03/2011
Hoje senti falta de tanta coisa...
Peguei a caneta e um caderno, mas faltava-me inspiração
Comecei a escrever sem saber o que dizer
As palavras me abandonam...
E o que resta fazer em uma hora como essa?
Autoanálise
Um passeio pelos pensamentos
Vasculhando sentimentos
Exercitando a compreensão
O que me incomoda?
Esse vazio e, ao mesmo tempo, tantas coisas
Mas o que elas significam isoladamente?
Por que olhar para o espelho e querer fazer uma plástica?
Carência de autoestima.
Por que colocar uma música que me lembra alguém e me faz chorar?
Carência provocada pela ausência.
Por que ficar olhando para o telefone, esperando que alguém ligue?
Carência de uma conversa amiga.
Por que devorar tantos chocolates de uma só vez?
Carência de prazer.
Por que invejar uma pessoa famosa que vive cercada de fãs?
Carência de atenção.
Por que esta vontade de mudar de emprego?
Carência de valorização.
Por que toda essa inquietação na busca de um novo desafio?
Carência de motivação.
Por que tanta desordem em minha vida?
Carência de foco.
E todas essas tentativas frustradas de silenciar a mente e meditar?
Carência de paz interior.
Muitas perguntas, as mesmas respostas.
Bem...
Eu não sou tão triste assim, mas é que hoje estou carente.
Por Aline D’Eça
(*Para fechar esse texto, adaptei uma frase dita por Clarice Lispector em uma entrevista. A dela dizia “Eu não sou tão triste assim, mas é que hoje estou cansada”).
Hoje senti falta de tanta coisa...
Peguei a caneta e um caderno, mas faltava-me inspiração
Comecei a escrever sem saber o que dizer
As palavras me abandonam...
E o que resta fazer em uma hora como essa?
Autoanálise
Um passeio pelos pensamentos
Vasculhando sentimentos
Exercitando a compreensão
O que me incomoda?
Esse vazio e, ao mesmo tempo, tantas coisas
Mas o que elas significam isoladamente?
Por que olhar para o espelho e querer fazer uma plástica?
Carência de autoestima.
Por que colocar uma música que me lembra alguém e me faz chorar?
Carência provocada pela ausência.
Por que ficar olhando para o telefone, esperando que alguém ligue?
Carência de uma conversa amiga.
Por que devorar tantos chocolates de uma só vez?
Carência de prazer.
Por que invejar uma pessoa famosa que vive cercada de fãs?
Carência de atenção.
Por que esta vontade de mudar de emprego?
Carência de valorização.
Por que toda essa inquietação na busca de um novo desafio?
Carência de motivação.
Por que tanta desordem em minha vida?
Carência de foco.
E todas essas tentativas frustradas de silenciar a mente e meditar?
Carência de paz interior.
Muitas perguntas, as mesmas respostas.
Bem...
Eu não sou tão triste assim, mas é que hoje estou carente.
Por Aline D’Eça
(*Para fechar esse texto, adaptei uma frase dita por Clarice Lispector em uma entrevista. A dela dizia “Eu não sou tão triste assim, mas é que hoje estou cansada”).
sábado, 2 de abril de 2011
Eu, adversa?
Deixar de ser autêntico em razão do que os outros vão julgar é covardia.
Ridículo mesmo é fingir ser o que não se é.
A mentira aprisiona...
Liberdade é poder ser integralmente quem é, mesmo quando suas posições parecem adversas.
Eu não quero perder tempo na escolha de disfarces
Nem aceitarei ser etiquetada ou amoldada a esta ou aquela casta.
Ou o bem ou o mal, ou isso ou aquilo...
Detesto dualidades!
Por que não poderia ter boas e más atitudes, se sou boa e sou má, se estou certa e estou errada, e se sou tudo isso ao mesmo tempo?
Sou luz e sou escuridão!
Passamos a vida inteira tentando ser livres e felizes
E nos aprisionando voluntariamente a coisas, pessoas, aparências, pensamentos, opiniões e sentimentos inúteis.
Assim, os momentos felizes chegam e vão embora,
Mas a sensação de aprisionamento fica, sempre.
Insistir em viver assim é nunca se permitir ser pleno.
Eu quero tentar... Viver o que estiver disposta a viver
Ser quem eu quiser ser, mas sempre de verdade.
Eu quero tirar esse sábado para dançar, o domingo para rezar
Posso ser forte em um momento, extremamente frágil em outro
Afinal, há algo de errado em adorar música clássica e também samba, rock, reggae, pagode?
Eu seleciono o que ouvir e pensar, sentir e gostar. Tudo ao meu critério.
Tenho em mim a consciência do que é certo e do que é errado.
Mas não estou a fim de julgar quem é certo e quem é errado.
Afinal, não tenho esse direito. Ninguém tem.
Para quê perder tempo com isso, se eu posso tanta coisa?
Posso tentar ser mais espiritualizada e, ainda assim, não resistir a uma liquidação...
Posso ser indiferente às notícias sobre a crise econômica mundial, mas sentir a dor de uma mãe que acaba de perder um filho.
Posso estar elegantemente vestida aqui, praticamente despida ali;
Ser liberal com umas coisas, careta com outras;
Escrever um livro hoje, falar um monte de besteira amanhã.
Estar em um templo de manhã, em um barzinho de noite
Posso crer em Deus, em Jesus, nos espíritos, e não confiar nos homens;
Posso não temer a morte e ter pavor de morcegos.
Nada disso é contraditório, tudo isso sou eu.
Muito prazer.
Por Aline D’Eça
Em 27/03/2011
domingo, 17 de outubro de 2010
Embaralho
Tudo parece calmo
Um instante passou pelo avesso
E eu aqui no meu quarto
Revirando meu travesseiro
A vida lá fora me chama
O vento sopra a favor
A estabilidade indica
Tempo de alçar vôo
Mas aqui no meu canto
Perdida entre mil perguntas
Tento traçar qualquer plano
Talvez mais uma rota de fuga
Escolho as cartas
Não jogo
Embaralho
Tento outra aposta
A roleta gira
Não posso blefar desta vez
Fecho os olhos,
Mas a mente não para
O que fazer com esse medo?
Como apostar na felicidade
Se eu não sei como se faz
Nem nunca fui livre de verdade?
Por Aline D’Eça
17/10/2010
Um instante passou pelo avesso
E eu aqui no meu quarto
Revirando meu travesseiro
A vida lá fora me chama
O vento sopra a favor
A estabilidade indica
Tempo de alçar vôo
Mas aqui no meu canto
Perdida entre mil perguntas
Tento traçar qualquer plano
Talvez mais uma rota de fuga
Escolho as cartas
Não jogo
Embaralho
Tento outra aposta
A roleta gira
Não posso blefar desta vez
Fecho os olhos,
Mas a mente não para
O que fazer com esse medo?
Como apostar na felicidade
Se eu não sei como se faz
Nem nunca fui livre de verdade?
Por Aline D’Eça
17/10/2010
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
LANÇAMENTO DE LIVRO
LANÇAMENTO: Filhos do Cárcere, da jornalista Aline D’Eça
Na contra mão dos espetáculos de horror, eis um livro construído com os tijolos da sensibilidade e ternura. Essas são as palavras do Diretor da Faculdade de Comunicação da UFBA, Giovandro Marcus Ferreira sobre o livro Filhos do Cárcere, da autoria da jornalista Aline D’Eça, que será lançado no dia 06 de outubro, a partir das 19 horas. O primeiro livro-reportagem publicado pela Editora da Universidade Federal da Bahia terá o lançamento promovido no Café Primaz, localizado na Avenida Leovigildo Filgueiras, no bairro do Garcia.
O trabalho Filhos do cárcere nos proporciona um encontro com o rejeitado mundo prisional. Numa escrita envolvente nos faz percorrer o dia-a-dia do Complexo Penal Feminino em Salvador, a partir dos filhos e filhas de mulheres prisioneiras que ali estão cumprindo penas. Depois que os indivíduos infratores chegam ao cárcere, principalmente os pobres e desconhecidos, não mais interessam notícias sobre eles, muito menos sobre as implicações sociais do seu aprisionamento.
O fato de crianças serem geradas, nascerem e viverem no ambiente carcerário, expostas a todo tipo de risco, é um destes fatores desconhecidos por parcela da população. O tema, apesar de não ser novo, não costuma ser divulgado pela imprensa. Na Bahia, além de não encontrar nos veículos jornalísticos notícias sobre este assunto, inexistiam pesquisas de outras áreas do conhecimento sobre o tema. Diante da situação surgiu a ideia de abordá-lo por meio de um trabalho jornalístico que pudesse apresentar à sociedade uma perspectiva pouco conhecida do sistema penitenciário.
A intenção deste trabalho é ir além dos crimes e do noticiável, na tentativa de uma aproximação com o real. Números podem ser importantes, mas não mais que histórias de vida, não mais que as pessoas. Filhos do cárcere nos prova que é possível um jornalismo cívico, que clama por cidadania e, ao mesmo tempo, que nos sacode desenhando pequenos movimentos, cristalizando olhares e gestos que passam despercebidos no dia-a-dia, mas que são essenciais no mosaico da vida humana.
SERVIÇO
O que: Lançamento do livro Filhos do Cárcere, da autoria da jornalista Aline D’Eça
Quando: 06 de outubro de 2010, a partir das 19 horas
Onde: Café Primaz, Avenida Leovigildo Filgueiras, 270, Garcia
Preço do livro: R$ 28,00
Preço do livro (Lançamento): R$ 25,00
Fonte: Ascom/EdUFBA
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
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