domingo, 24 de maio de 2009

Força propulsora

Eu não sou uma pessoa corajosa, como dizem.
A virtude da coragem está em mim apenas de forma latente.
Mas sou uma pessoa determinada a vencer.
E essa é a força que me impulsiona a derrotar os meus medos


[Aline D’Eça – 05/05/2009]

domingo, 10 de maio de 2009

Asas

17/07/1998



Horas a pensar...
Vagando entre estrelas e desejos
No limite do sonho e do real
Onde um perfume vai e volta
Trazendo o cheiro de rosas,
Substituindo o oxigênio
E transitando por todo o meu corpo

Sinto
São rosas amarelas
Elas vêm me dizer que me chega algo de bom
Talvez seja um anjo vindo me buscar
E ele vem...
Traz nos lábios vermelhos e molhados
Um sorriso sedutor
E no olhar um pedido...

Logo tenho-me carregada por braços firmes
Braços que confio,
Asas que desejo

Adentramos uma porta
Uma porta nunca antes aberta
E, agora, só a nós revelando:
Velas acesas, muitas no chão
O som de uma música ao violino
Tão baixa... quase imperceptível

O ar tem cheiro de erva doce
E tudo tem cor de jambo
Em meia luz
Não se vê detalhes em perfeição
O que torna tudo ainda mais perfeito
Perfeito como o corpo que me atrai,
Que me impulsiona e que me ama

Sinto um toque...
Talvez de uma seda fria
Talvez das mãos do meu anjo
Vejo-me, então, dentro do que amo
E já não somos dois
Princípios? Leis?
Não existem
Somos um só
Uma só explosão de êxtase
O ar, por um instante, parece acabar...
Mas ele volta,
Trazendo uma sensação de vida após morte
Como após a tempestade,
Deixamos a natureza ainda mais exuberante

E então somos únicos
Únicos habitantes de um planeta que criamos
Onde o amor é salvação
E onde o sonho já não é ilusão.


Por Aline D’Eça

Enquanto

05/03/1998

Enquanto não vens
Meus olhos passeiam perdidos
Buscando a vida e o brilho
Que eles ganham quando te têm

Enquanto te preocupas em disfarçar
Para mim e para teus amigos
Que és feliz ao saber que estarei sempre contigo
Vem o desejo em nossos corpos atiçar...

Enquanto estamos sozinhos
Diz-me baixinho as tuas intenções
Consome meus poros com deliciosas sensações
Demonstra em mim o poder da tua voz

Enquanto tenho-te inteiramente
O amor nos faz unidade
O amor nos diz a verdade

Se nos temos tão completamente
Esse amor não tem por enquanto
Apenas eternamente


Por Aline D’Eça

Sozinho

14/10/1996


Os lábios ainda doloridos
dos beijos fervilhantes
Tributos insanos à paixão

O que restou a rotina escarnece:
os corpos já não são afáveis
os dias se multiplicam
e o nosso amor já não se completa

Depois da tempestade
o que restou, tu não sabes
todo o meu amor ainda é teu
e ele arde aqui sozinho

Tu não sabes
tenho-te no sonho
e ainda durmo sozinho.

Por Aline D'Eça

terça-feira, 5 de maio de 2009

Caminhos

17/04/1997

O que parece certo
nunca é rediscutido
se o desejo é mais forte
que o sentido
Corremos riscos demais
quando seguimos juntos
Como se os suicidas soubessem
onde vão parar
Não sei até que ponto chegamos
mas fomos longe demais
No que não tinha nada a perder
perdemos quase tudo
agora estamos sem motivos para voltar
É impossível repetir o que aconteceu
Devemos acabar com tudo que nos uniu
Caímos juntos numa armadilha,
você não escutou e me acusou
Entenda como quiser
Não vou insistir no que não pode
fazer por mim
Vamos seguir nossos caminhos
nossos caminhos diferentes
E que não nos encontremos
em nossa caminhada novamente.


Por Aline D'Eça

Mesmo assim

14/11/1996

Sua diversão era ter-me daquele jeito
Presa de um envolvimento delicioso e triste
Erro amar o que não se pode conhecer
Cruéis forasteiros de corações duros
Não se encontra amor nos homens

O longo pesadelo parece desfazer
Não há afabilidade nos dias
A chama das noites se apagou
Rompem-se os suspiros
Desejos são naufragados
Mar da dor...

Mesmo assim
queria poder cegar meus olhos
pois sempre estarei assim
quando te ver.


Por Aline D'Eça

sábado, 11 de abril de 2009

Decidir



Que fique com o limite do corpo
Aquele que não quer voar
Pois o sonho quer constante esforço
E é da alma que ele irá cobrar

Que a mesa seja farta
Quando o coração é pobre
Pois quando o Amor não falta
Não há dinheiro que o compre

Que seja dado ao que fere
A benção do perdão
Para que, ferido, ele se recupere
E aprenda a estender suas mãos

Que aos impacientes não seja dado
O desgosto de fazê-los esperar
Se para eles caridade é para os “fracos”
A estes “fracos” o fardo mais leve pesará

Que aos grandes seja permitido
Obter as grandezas da Terra
Eles não conhecem o Amor, são pequeninos
Diante da eternidade que os espera

Que não seja dada a dor e a doença
Àqueles que não sabem chorar
Pois a consolação é dada aos que têm fé e crença
E só os que sofrem sabem acreditar

Muitos escolhem caminhos fáceis, portas largas
Poucos escolhem caminhos difíceis, portas estreitas
A vida torna-se amarga
Quando a decisão é incorreta.


Por Aline D’Eça
22/04/1999

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Fascinação

Março de 1998

Ah! Desde que te vi, vi-me presa
Teu olhar, fascínio, causou-me febre
Ah! Desde que te vi, tive a certeza
De ser escrava do que tu queres

Como não te desejar?
Se do teu nome tenho prazer
Se quando a teus encantos me entregar
Sei... no mesmo tempo hei de gozar e de morrer

Vejo minhas mãos mergulhadas em teus cabelos
Vejo minhas mãos decorando teus contornos
Não se há palavras, há apelos
E o desejo de sentir teu corpo morno

Este corpo que se tornou meu templo
Tem por dom uma perfeita simetria
É tão fascinante que não olho, contemplo...
Puro delírio, ilusão ou fantasia

Num doce sonho mora esta ilusão
E desse sonho é que encontro vida
No teu olhar vejo paixão
E nos teus braços vejo-me perdida...


Por Aline D'Eça

Pacto

01/09/1998

És o que me faz viver
Estar contigo é desfrutar
De delícias
Então não me negue a vida
Nem o desfrute
De tuas malícias
Se sou tua
Então aceita o que é teu
Receba este corpo que é teu
E que apenas quer o teu corpo
Doa-me este sangue que é meu
Deixa-me sentir o gosto
Do que já deliciei
Da saliva, do suor, do corpo que amei
E...
Na sede
Embebede-me do teu veneno
Na fartura
Alimente-me do que sempre estou querendo
Na tristeza
Beba das minhas lágrimas
Na felicidade
Teu sorriso faz meu sonho, minha alma
Na fome
Quero todo o teu corpo
Na saúde
Quero todo teu esforço
Na doença
És minha cura
Na raiva
Quero toda tua fúria
No amor
Quero-te despido
E na morte
Minha alma está contigo.

Por Aline D'Eça

domingo, 5 de abril de 2009

Só para te enlouquecer



LevantaE o sol ainda não apareceuEspantaTudo que não esqueceuNão poderia apagar um amor assim
CriançaO medo quando escureceuLembrançaO abraço que te aqueceuSe então só saberia dizer sim
TristezaMentiu toda essa magiaEsqueçaQue só foi feliz naquele diaJá não há nada para te aquecer
Não acreditasteNesta brincadeira sem sentidoE então chorastePois não era teu aquele risoNão foi nada divertido para ti
Quando um coração só sabe amarÉ difícil acreditarImpossível entender
Quão estranho era aquele olharQue um dia se fez brilharSó para te enlouquecer
Quanta indiferença e quanto felNa boca que te aqueceuFica com a lembrança do beijo infielE dos olhos que não são mais teus.

Por Aline D'Eça

27/04/1999